Algarve – Viagem pelo rio Arade

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A partida é no cais junto ao Clube Naval de Portimão e o «capitão» que nos guiará a bordo da Barca do Arade é o João Venâncio, que mandou construir a barca segundo indicações do Museu da Marinha. Seria este o aspeto das barcas que navegavam pelo rio no século XV, quando muitos alimentos e outros produtos chegavam e saíam da cidade pela via fluvial. Contudo, o Arade há muito que deixou de ser navegável para barcos de maior porte. É urgente proceder ao desassoreamento, mas há muito que se espera pela autorização e pelos fundos de Lisboa para o fazer. Curiosamente, um dos fatores que levou à decadência progressiva de Silves no séc. XVI foi precisamente o assoreamento do rio.

Há 22 anos que João Venâncio faz os passeios no rio. O seu pai era pescador e também ele trabalhou muitos anos na apanha da sardinha e mais tarde do marisco. Mas quando essa atividade deixou de ser lucrativa, decidiu dedicar-se à animação marítimo-turística.

«O Arade tem alimentado a minha família há gerações», conta João Venâncio. «O meu pai vivia da pesca no rio. Hoje eu também ganho o meu sustento com o rio», continua ele sorridente e acrescenta, que o Arade lhe corre nas veias. Também ele anseia pelo desassoreamento do rio, que lhe permitiria fazer as viagens independentemente das marés. Até o antigo Presidente da República Jorge Sampaio lhe prometeu durante uma viagem pelo rio que trataria pessoalmente do assunto, mas Venâncio continua à espera.

Junto à ponte do Arade fazemos uma pequena paragem. Na Rocha de Garcia, na margem esquerda do rio, há uma imagem de Santo António, aí colocada pelos habitantes da Mexilhoeira da Carregação para proteção dos pescadores.

A partir daqui, deixamos de ver os prédios de Portimão e da Mexilhoeira da Carregação e a viagem segue por uma paisagem rural. As margens do rio estão verdejantes e tudo convida a descontrair, a inspirar o ar puro, os aromas do campo.

Um pouco depois chegamos à pequena ilha de Nossa Senhora do Rosário. Em tempos havia aqui uma ermida. A ilha também marcava a fronteira entre os concelhos de Lagoa, Silves e Portimão e segundo nos conta Venâncio, foram aqui travadas muitas lutas entre os moradores.

Diz-se, que após uma dessas lutas os homens de Ferragudo roubaram a estatueta da Nossa Senhora do Rosário que estava na ermida. Se é verdade ou não, não se sabe, facto é que atualmente a imagem da santa está na igreja de Ferragudo. Após mais alguns metros já se distingue ao longe o castelo de Silves.

O rio fica mais estreito e nas suas margens vemos dezenas de tartarugas a desfrutar do sol. Depois de mais algumas curvas chegamos ao nosso destino e dispomos de hora e meia para visitar a cidade e almoçar. O tempo é pouco, mas Venâncio explica que, por causa das marés, não é possível ficar mais tempo. «Se a maré desce ficamos às secas», diz ele a rir.

No regresso a Portimão a viagem segue ao ritmo da música tradicional portuguesa e como sempre, da boa disposição do Senhor Venâncio.

O passeio dura três horas e meia: 1h na subida, 1h30 em Silves, 1h na descida.
Os preços são: 20€ adultos, crianças com menos de 5 anos grátis e entre os 6 e os 10 anos 10€

Contacto: João Venâncio – Tlm: 963741189

Fonte: Barlavento Online

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