Fazer um InterRail é “ver onde a viagem nos leva”

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“É pegar na mochila e ir”, diz Florian Weber (ou Flo, como prefere ser tratado), natural de Graz, Áustria. Já viajou por toda a Europa de comboio e é administrador do “RailDude”, um site dedicado ao InterRail que contém todo o tipo de itinerários e horários de comboios europeus.

Ainda assim, há algum planeamento a fazer sempre, mesmo que não se tenha de “planear tudo”. Florian defende que se deve cobrir algumas cidades previamente delineadas, mas que durante o itinerário o melhor é “ver onde a viagem nos leva”.

Fazer um InterRail “é ter a liberdade de viajar pela Europa e decidir espontaneamente onde ir”, defende. Planear tudo previamente até nos pode “dar bilhetes mais baratos”, mas se acontecer algum imprevisto durante a viagem, as coisas complicam-se. Faz parte. Manter a calma é o segredo. “Se alguma coisa não correr como planeado, relaxem e disfrutem da viagem: é divertido na mesma”, diz Florian.

No tempo de Miguel Silva, não havia grandes alternativas. Fez dois InterRails (em 1999 e 2000) e hoje, com 39 anos, Miguel recorda que “o InterRail obrigava, na altura, a partir mais à aventura, sem grande rede de proteção”, o que acabava por proporcionar “uma sensação de liberdade, descoberta e de grande satisfação quando tudo acabava por correr bem”.

Ainda hoje há questões que preocupam jovens e pais, na altura de planear a viagem. A segurança é, talvez, a maior de todas. “Falo a partir da minha experiência”, afirma Florian: “Acho que a Europa é mesmo segura, se tomarmos um bocadinho de atenção às nossas coisas. Nunca tive problemas quer no sul da Europa, quer na Europa ocidental ou oriental”.

Florian já viajou por todo o lado e não deixou de partilhar as suas preferências. “Gosto muito da Suíça, apesar de ser um país caro. Os trajetos de comboio são fantásticos lá. Também gosto da França, da Escandinávia, de Itália e de Portugal”. No ano passado, Flo esteve nos Balcãs e deixa um conselho: “Se tiverem chance de ir a Montenegro, façam-no”.
Mas afinal como se processa tudo? Onde dormir, como reservar? Há os comboios noturnos, uma boa maneira de poupar dinheiro. Se tiver de se dormir na cidade, pode fazer-se “uma reserva na Internet”. Mas também é possível arriscar: por exemplo, “aparecer num hostel e ver se têm lugar para nós”, conta Florian. Antigamente, era sempre assim. “Era muito mais barato marcar as estadias nos postos de turismo das cidades, embora isso fosse por vezes um fator de grande stress e nem sempre correu bem”, afirma Miguel.

O que também por vezes corre mal são os relacionamentos no seio do grupo da viagem. “Pode ser difícil satisfazer os gostos de todos”, diz Florian. Miguel Silva concretiza: “Os picos de saturação podem ser causados por questões normais em todas as viagens – cansaço acumulado, fome, ou falta de higiene, em alguns momentos”. Se a isso juntarmos dificuldade em arranjar alojamento ou comida, “as tensões vêm sempre ao de cima”. Por isso, Florian aconselha a prevenção, caso se esteja num grupo grande. “Nem toda a gente gosta de ir ao museu”, afirma. “Recomendo a separação em grupos pequenos”, e “que se voltem todos a encontrar no final do dia”.

Quanto ao que levar, Florian prefere lavar a roupa “durante a viagem”, para evitar “o peso” de levar toda a roupa às costas. Para além disso, “roupa confortável” é preferível especialmente para “dormir nos comboios noturnos”. “Um livro e cartas” para as viagens mais longas são bons meios de entretenimento, individual ou em grupo. Mas o fundamental é mesmo “bom calçado”, por razões óbvias.

“Não havia cartão de crédito, Youtube, ou Google Maps”

Numa altura em que tinha passado apenas uma década da queda do muro de Berlim, “a informação disponível sobre a Europa oriental era pouquíssima”, relembra Miguel. Mas se ainda há algum preconceito relativamente ao lado de lá da Europa, é infundado: “Acabei de vir da República Checa e da Eslováquia e não tive problema nenhum, são grandes países para se visitar”, diz Florian.

Atualmente já é fácil encontrar informação sobre os antigos países comunistas, e até já podemos navegar pelas ruas de Bratislava, Praga, Budapeste ou mesmo Moscovo sem sair de casa. Há 15 anos “não havia cartão de crédito, Youtube ou Google Maps” para vermos como são as cidades antes de lá chegarmos, ou podermos fazer reservas facilmente.

E apesar de nada se equiparar a lá estar presencialmente, “o que se perdeu foi o encanto da descoberta”, defende Miguel. “Nos dias de hoje não há nada que não se possa pesquisar antes da viagem até ao mais pequeno detalhe. Tudo está disponível. Já pouco ou nada surpreende verdadeiramente”, conclui.

Fonte: JPN

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